quinta-feira, 30 de maio de 2013

Invencível amor.


As vezes fico pensando no que disse Pe.Virgílio, será que é verdade que o amor  é dique suficientemente sólido para deter a torrente do ódio  e segurar com firmeza os vagalhões da violência? Algumas vezes, a decepção nos leva a tentação  de contestar a proposta de Jesus, que nos convida ao perdão  e a misericórdia. Pensamos que perdoando os violentos e absolvendo os ladrões,acabamos facilitando a tarefa dos malandros e o crescimento  do mal. Mais lógico seria responder aos opressores com os mesmos sentimentos que nos oprimem... 

Mas nós,que cremos em Deus, gostaríamos de cultuar ao mesmo tempo a justiça e o amor.Por isso, ficamos num tremendo embaraço: julgamos que a prática da justiça nos leva para longe do amor, e que a vivência do amor,nos arrasta para longe da justiça. Conciliar justiça e amor nos parece tarefa acima das nossas responsabilidades.Mas não temos o direito de separá-los,pois é a isso que precisamos chegar.

Isto porque numa sociedade onde haja amor sem justiça, a situação iria degenerar em bagunça, e o amor ficaria desacreditado. Do mesmo modo onde houver justiça sem amor,haveria ditadura na certa, e a  justiça ficaria desacreditada. Jesus, entrou no reino da violência não a fim de justificá-la,mas para denunciá-la e destruí-la.Não  destruindo apelando para nova violência ou para a justiça sumária, e sim tentando injetar no coração das pessoas os germes da não-violência e recuperar o violento..

Jesus acabou, é verdade, sendo tragado pela violência. Mas sua morte não foi em vão. Só as vitórias do amor são definitivas,completas e salvadoras.Num mundo convencido de que a justiça só será feita opondo força à força, violência à violência,nós precisamos proclamar nossa fé na onipotência e civilização do amor.

domingo, 12 de maio de 2013

Para Sempre

Por quê Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
-mistério profundo-
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele,velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
                             Carlos Drummond de Andrade


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Os cavalos da noite-H.Dobal


Os cavalos da noite galopando
de crinas soltas contra a luz da lua
eram fantasmas breves dominando
os sonhos de um menino solitário.

Um menino sem forças contra a noite
sonhava com cavalos assustados
e se inventava cavaleiro andante
dono dos seus caminhos pela vida.

Campeava as distâncias descuidado
e armado pelo sono ia amansando
no coração da treva os seus temores.

E revivia a noite no mistério
dos árdegos cavalos renovando
o seu campo de sonho solitário.