quarta-feira, 7 de março de 2018

Dialogando com Carlos Drummond de Andrade

Consolo na praia.

Vamos não chores.                                                                        
A infância está perdida
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou
O segundo amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o 'humor'?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
O Constante Diálogo 
Diálogo com o ser amado
                       o seu semelhante
                       o diferente
                       o oposto
                        o adversário
                        o surdo-mudo
                        o possesso
                        o irracional
                        o vegetal
                        o mineral
                        o incomodado

Diálogo consigo mesmo
                       com a noite
                        os astros
                        os astros
                        os mortos
                        as ideias
                        o sonho
                        o passado
                        o mais que futuro

Escolhe teu diálogo e
tua melhor palavra     ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.



O mito das cavernas.

 No mundo em que vivemos, só tem sentido para nós as coisas materiais e sensoriais que percebemos.
Na nossa prática pedagógica, nas maiorias das escolas, inúmeras vezes só nós falamos, impedindo que os alunos se comuniquem, mantendo-os em silêncio.Nós educadores,detentores do saber,somos os donos da verdade. E os alunos "páginas em branco",precisam ficar quietos,somente ouvindo e copiando o que foi passado no quadro,mesmo que nada estejam entendendo. E depois, a resposta certa é passada para que confiram/copiem. Impedimos assim que tenham oportunidade de aprender a raciocinar por si mesmos para que pensando apenas no que queremos que pensem, não descubram que é preciso aprender não somente o que o professor tem o “poder” de mostrar, mas ver além das coisas concretas.Aquele raro aluno que aprendeu a pensar e consegue ver além dos textos pobres das cartilhas,como por exemplo "Ivo viu a uva" e descobre que por trás da uva existe um profissional que cultiva,colhe para os patrões ganhando às vezes salário de fome e questiona, quer saber mais sobre isto, qual o contexto,se tem sentido ou não, é rotulado de indisciplinado, aluno problema ou maluquinho que deve ser punido ou receber tratamento neurológico. E o aluno que descobriu um dos problemas da escola e por isso é rotulado de problemático,  acaba se acomodando a ver somente o que é mostrado. Acreditando que somente o que é mostrado é verdadeiro e que não é preciso raciocinar, porque sempre alguém faz isto por ele, se acomoda na vida medíocre sem esperança de possibilidade de crescimento.

E  assim o principal objetivo da educação de qualidade social que é formar cidadãos críticos,participativos capazes de compreender claramente e transformar  a realidade não é atingido.

Como educadora, penso que é importantíssimo repensar a nossa prática pedagógica constantemente e como avó,ou família de aluno, que é preciso acompanhar e questionar a educação que está sendo transmitida para nossas crianças.  É o tipo de educação que pensamos para elas? É este o mundo que esperamos que construam com criatividade para viver ou preferimos que passem o resto de suas vidas, concordando, copiando, assimilando e repetindo o que lhes é transmitido na escola, na sociedade ou pela mídia?
                                                                                Terezinha das Graças de Souza Couto- Psicopedagoga.

                                                       

Obrigada pelo carinho da presença.Um forte abraço para você. Fique com Deus e que Ele derrame uma chuva de graças sobre você e sua família.

sábado, 3 de março de 2018

TDAH




O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é responsável pela enorme frustração que pais e seus filhos portadores desse distúrbio experimentam a cada dia. Crianças, adolescentes e adultos hoje diagnosticados com TDAH são frequentemente rotulados de "problemáticos", "desmotivados", "avoados", "malcriados", "indisciplinados", "irresponsáveis" ou, até mesmo, "pouco inteligentes". A maioria daquilo que lemos ou ouvimos sobre o assunto tem uma conotação negativa. A razão disso é o fato deste transtorno continuar sendo pouco conhecido, apesar dos estudos a respeito terem se intensificado nas últimas décadas e a prática ter mostrado que 3% a 5% das crianças em idade escolar podem ser incluídas nesse diagnóstico.*

Garanto que ninguém associa os adjetivos "criativo, trabalhador, energético, caloroso, inventivo, leal, sensível, confiante, divertido, observador, prático" às pessoas que têm Déficit de Atenção/Hiperatividade. Estes, sim, descrevem muito melhor essas pessoas.
Preste atenção nesta outra lista: "falta de atenção, tédio, baixa tolerância, intensidade de comportamento que leva a conflitos com autoridades, alto nível de atividade, questionamento das regras." Mais adjetivos para os portadores de TDAH? Não. Estas atitudes estão associadas a superdotados… Vamos pensar por um minuto em Thomas Edison, que inventou a lâmpada; Benjamin Franklin, que descobriu a eletricidade; em Magic Johnson, que tanto fez pelo basquete; em Ziraldo e seu Menino Maluquinho... Quem não ri com as piadas de Whoopi Goldberg e Robin Williams? E a maravilhosa música de Mozart e Beethoven? O que é que todas essas pessoas têm em comum? TDAH!!
Hoje, sabemos que o TDAH é um distúrbio neurológico sério mas tratável, embora de difícil diagnóstico e acompanhamento, devido à necessidade de um trabalho multidisciplinar contínuo. É possível afirmar que as pessoas portadoras de TDAH, apesar das dificuldades decorrentes da condição, podem aprender a tirar o melhor partido das suas características e a realizar todo seu potencial. O TDAH pode ser considerado um dom, um sentido extra que seus portadores têm para as coisas, uma maneira de chegar imediatamente ao âmago das situações enquanto os outros só chegam lá de maneira racional e metódica.

É preciso aprender a usar corretamente esse talento oculto. Do contrário, adota-se um modelo destrutivo de viver. Com a ajuda de pais e amigos, professores e terapeutas, os portadores de TDAH podem aprender a usar seu dom de maneira efetiva. De repente, as coisas ficam mais claras, e eles podem começar a se beneficiar de um talento ainda não aproveitado.
Vanda Rambaldi
Psicóloga

                                                                                                                                                               * Fonte: artigo publicado no British Journal of Psychiatry